Miopia alta: a partir de quantos graus e qual cirurgia resolve

Miopia é considerada alta a partir de cerca de 6 graus. Veja quando o laser deixa de ser indicado e como a lente fácica corrige graus elevados. Dr. Alex Sá, Manaus.

Publicado e revisado em Revisão médica: Dr. Alex Gonçalves Sá · CRM 7516 AM · RQE 3514

Quer tirar essa dúvida direto com a equipe? Falar no WhatsApp

Nem sempre. A cirurgia refrativa a laser funciona muito bem para a maioria dos graus de miopia, mas tem limites técnicos: em graus muito altos, córnea fina ou refração ainda instável, o laser deixa de ser a opção mais segura ou previsível. Nesses casos, existem outras técnicas, principalmente com lente, que resolvem o mesmo problema por outro caminho.

Essa é uma dúvida comum de quem já pesquisou sobre cirurgia refrativa e ouviu de algum lugar que “seu grau é alto demais para operar”. Não é bem assim: o grau alto muda a técnica indicada, não fecha a porta para tratar a miopia.

O que é considerada miopia alta?

De forma geral, a oftalmologia classifica como miopia alta graus a partir de aproximadamente -6,00 dioptrias, podendo chegar a -10, -15 ou mais em casos mais raros. Quem tem miopia alta costuma enxergar bem apenas a curta distância, depende do óculos ou lente de contato para praticamente tudo (dirigir, trabalhar, reconhecer rostos do outro lado da sala), e tem, em geral, um olho um pouco mais alongado do que a média, o que também exige atenção redobrada com a saúde da retina ao longo da vida.

Por que nem toda miopia alta pode fazer cirurgia a laser?

O laser corrige o grau remodelando a córnea, removendo uma camada muito fina de tecido para mudar a forma como a luz é focada. Quanto maior o grau, mais tecido precisa ser removido. Isso esbarra em dois limites:

  • A espessura da córnea. Existe uma quantidade mínima de tecido que precisa permanecer depois da cirurgia para manter a estrutura do olho estável. Em córneas naturalmente mais finas, esse limite chega antes, mesmo com grau moderado.
  • A previsibilidade do resultado. Em correções muito grandes, o laser tende a ter menos previsibilidade e um risco maior de regressão do grau ao longo do tempo, especialmente em miopias acima de -8 ou -10 dioptrias.

Isso não é uma regra rígida de corte, e sim um conjunto de fatores que a avaliação mede em cada pessoa. Duas pessoas com o mesmo grau podem receber indicações diferentes, porque a córnea de cada uma é diferente.

Quais alternativas existem quando o laser não é indicado?

Quando o laser não é a melhor opção, a correção costuma vir por lente, e não pela córnea:

  • Lente intraocular fácica: uma lente é implantada dentro do olho, na frente ou atrás da íris, sem remover o cristalino natural. É reversível e costuma ser indicada para miopias altas em pacientes mais jovens, que ainda não têm presbiopia.
  • Troca refrativa do cristalino: o cristalino natural é substituído por uma lente intraocular, o mesmo procedimento usado na cirurgia de catarata. Costuma ser considerada a partir dos 40-45 anos, quando a presbiopia já está presente.

As duas evitam remover tecido da córnea, o que as torna uma alternativa segura justamente nos casos em que o laser esbarra nos próprios limites.

Como se sabe qual técnica é indicada?

Só o exame individual responde isso, mas ele já é bem objetivo: mede a espessura da córnea (paquimetria), o formato dela (topografia), a estabilidade do grau ao longo do tempo e a saúde da retina. Grau alto sozinho não define a técnica. É o conjunto desses exames que mostra se o laser é uma opção segura, se uma lente fácica faz mais sentido, ou se o caminho é a troca do cristalino.

A cirurgia resolve o risco de problema na retina?

Não, e esse é um ponto importante que costuma passar despercebido. Miopia alta está associada a um olho mais alongado, o que aumenta, ao longo da vida, o risco de alterações na retina periférica, independentemente de qual técnica de correção é escolhida. Corrigir o grau, seja por laser ou por lente, resolve a dependência dos óculos, mas não muda esse formato do olho nem elimina a necessidade de acompanhamento.

Por isso, quem tem miopia alta deve manter exame de fundo de olho periódico mesmo depois de operado, com ou sem óculos. É um cuidado que continua sendo parte da rotina, e que costumo reforçar na própria consulta de avaliação, para que a expectativa fique clara desde o início.

Como é essa avaliação em Manaus?

Antes de indicar qualquer técnica, faço uma avaliação completa que inclui os exames de córnea e retina, medição precisa do olho e uma conversa sobre a rotina e as expectativas de cada pessoa. É esse exame, dentro do Protocolo Grau Zero, que define o caminho técnico mais seguro, não a preferência isolada pelo laser, que costuma ser a primeira pergunta de quem chega ao consultório.

Perguntas frequentes

Miopia alta impede qualquer cirurgia para deixar de usar óculos? Não. Impede, em alguns casos, a técnica a laser, mas normalmente existe uma alternativa segura por lente. A maioria dos pacientes com miopia alta consegue reduzir bastante a dependência dos óculos com a técnica correta.

Lente intraocular fácica dói ou exige internação? Não. É um procedimento ambulatorial, feito com anestesia em colírio ou local, com recuperação parecida com a de outras cirurgias de lente.

Quem já usa lente de contato há anos pode fazer os exames normalmente? Costuma ser necessário suspender o uso da lente de contato por um período antes dos exames, porque ela pode alterar temporariamente o formato da córnea. Esse prazo é orientado na própria consulta.

A lente fácica pode ser retirada no futuro? Sim, é uma das vantagens dela sobre técnicas que removem tecido da córnea. Se, por algum motivo, for necessário remover ou trocar a lente mais adiante, o procedimento é possível, o que dá mais flexibilidade para pacientes mais jovens.

Se você tem miopia alta e já ouviu que “seu grau não dá para operar”, vale procurar uma segunda opinião com os exames certos antes de descartar a possibilidade. Na maioria dos casos existe um caminho, só não é sempre o mesmo caminho.

Todos os artigos

Falar no WhatsApp